Sim

Perguntaram-me :”Ainda doi?”
E eu interrogando-o respondi: “o que é que doi?
E ele esclarece-me dizendo :” A dor da perda! Ainda doi?”

Fiquei atrapalhada, na procura de encontrar a explicação correcta a pergunta, mas a primeira coisa que aconteceu foi o meu esboçar de sorriso, mesmo antes de conseguir formar uma palavra. Então, sorri! Sorri serenamente, e assim lhe respondi…
“Diz-me .. já alguma vez te aleijas-te? Fizeste um golpe profundo? Sim?!
Então agora diz-me, doeu-te não foi? Mas cuidas-te dele – ou outra pessoa, ou até mesmo ambos – mas uma vez mais, diz-me: a dor passou de imediato? Pois, eu sei que não, mas aliviou. Foi bom e reconfortante enquanto esse aliviou durou cada instante. Depois do cuidado ainda falta a parte  de cicatrizar. E esse acredita,é o mais longo, e sofredor dos caminhos a percorrer. Porque entretanto depois do tratamento, do cuidado e do afecto para com o golpe profundo, as vezes acontece que sem querer lembras-te do que aconteceu naquele dia e parece que a dor aparece novamente – é um jogo psicológico! pois a dor é tanta que parece quase visível e palpável –  e tu sofres mais um cadinho, mas eventualmente ela acaba por passar. Distrais-te com algo, e assim o pensamento voa para outros sítios. Os minutos, as horas, até os dias podem passar, mas o facto de não te ficares a martirizar pela dor não significa que não saibas o que aconteceu, ou que acontece quando lhe tocas.

Mas agora analisa comigo, outra situação que vai desencadear desta.

Eventualmente alguém te acerta na ferida, mas tu claro, fazes-te de forte e dizes: “‘Tás parvo ou que?” E a pessoa pergunta: “ O que é foi? Acertei? Oh meu deus já passou tanto tempo, e isso ainda te dói?”, Manteis a postura e dizes “Epá não, não dói.. mas epá,…esquece!”  E no decorrer das coisas, acabas por tentar  mudar a conversa, ou sais apressado do local com uma desculpa qualquer, para não ficares lá nem mais um bocadinho. Chegas a um sitio onde te encontras sozinho, “finalmente”- pensas, começas abalançar, até caíres,e agarras-te como instinto a ferida, e então sentes o escudo cair por completo, as lágrimas tão incontroláveis, os tremelicos vão e vem nem tu sabes de onde, e de repente: estas fraco! e é apenas o abraço, o afecto,  que tu mais queres. Mas não queres que ninguém te encontre assim porque não é apenas o sentimento de culpa que te preocupa, é que ao alguém ao te encontrar naquele lugar fique automaticamente responsável por ti, e tu não queres pois a responsabilidade era de quem te fez fazer esse golpe profundo.

Então agora meu querido, diz-me porque perguntaste isso, se sabes tão bem, que eu ainda não cicatrizei a minha ferida, tenho-a aberta, como tenho o peito aberto por este(s) amargo(s) desfecho(s). A ferida, o golpe, é tal e qual o amor, não é uma luz que se apaga quando apetece, é dor que permanece e sentes-te abandonado como o mendigo na rua, como um homem sozinho numa ilha apenas com a lua, e é nestes momentos que chegas a conclusão que és incompleto sem ele/a , eles/as, e se pudesses voltar atrás dirias em cada oportunidade, amo-te muito é verdade.”

A minha reposta final é: Sim, ainda dói a dor da perda, e não sei porque quanto tempo … 

 

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